17 de dezembro de 2015

Essa não sou mais eu.
Fiquei pensando no que escrever depois de tantos anos, tantas mudanças. Li devagar algumas páginas do blog e senti um misto de vergonha com orgulho de mim mesma. Vi o quanto eu era sofrida, o quanto dependia de outros (familia, principalmente.). Fico feliz em ver uma Laís diferente, mudada agora.
São Paulo me deixou menos banana. Sabe? Sabe quando uma pessoa é banana na vida? Essa era eu. Agora não, essa não sou mais eu. Pelo menos eu tento e aprendo a cada dia com minhas lalazisses ao invés de somente criar textos sarcásticos.
Há quase um ano e meio dividindo apartamento com as pessoas mais queridas do mundo, organizando minha propria vida, posso dizer que me transformei.

Pra ter uma idéia, em 2015 eu tomei coragem, raspei o cabelo, virei vegetariana (finalmente.). Parei de trabalhar como dentista (sim.). Entrei em um curso de formação em Yoga e agora atendo como instrutora de yoga por São Paulo toda. Feliz. Estou amando me assumir como sou.
Sem drama. Eu e meu tapetinho por entre as ruas, linhas de ônibus, pessoas e logística dessa Babilônia maluca, que tem lá seu encantamento, admito - contrariando minhas fortes raízes caiçaras.
São Paulo e eu. Há dias que odeio, não suporto a massa cinzenta dessa cidade. Mas aí lembro de casa, do jardinzinho que plantei com as minhas ervinhas, com meu altar (um Shiva de gesso, comprado na Liberdade e pintado por mim, num dia de calor.), da vista pra parte calma da Vila Mariana, dos meus alunos, de quanto amor e incentivo eu tenho recebido de todos.

Acho que sei o que me aconteceu: resolvi sair da minha zona de conforto. Sem drama. Sem drama. Só eu seguindo o que sinto que devo fazer. Sem drama. Aprendi que por aqui as palavras nem sempre são o que soam ser. Aprendi que a pressa faz mal, mas se prostrar no sofá sem tomar banho é pior.

Aprendi que você não precisa se desdobrar para atender as expectativas de outras pessoas, porque isso é falso. Não é você, não é sua essência. Você não precisa ser algo que não é... Pode ser você, por você mesmo. A cidade é grande: seja legal e conviva pacificamente. Isso me ensinou a ser independente.

 Assumir meu vegetarianismo foi um grande passo também. Sou aquilo que acredito. Faço minha própria comida e estou MUITO feliz, me sinto com muito mais energia e nutrida com amor. Aprendi a cozinhar, e é um ato que faço com muito carinho, inclusive para amigos :) Minha saúde melhorou drasticamente graças a minha alimentação.

O yoga se tornou minha profissão devido ao grande amor que sinto pela filosofia pacifista, algo que me acompanha sempre. E graças a minha decisão de largar a odonto, o universo apareceu me dando aquela mãozinha linda do destino, dizendo que há maneiras de se ganhar a vida fazendo o que gosta. Que, aliás, deveria ser a única maneira de se ganhar a vida :)
Vivo meu sonho atualmente. A Laís de 26 anos, que ganha a vida da maneira que quer, está feliz.

Fui obrigada a procurar uma forma de bancar, e me indicaram um grupo no facebook de vagas feministas. E lá eu contei minha história: praticante de yoga há alguns anos, pós breakdown largando a cidade de litoral pra seguir o que ama (apesar de ainda não saber o que era exatamente) numa cidade tão pesada quanto São Paulo.
Ofereci minhas aulas de maneira despretensiosa e verdadeira, de coração. E o resultado foi incrível.
Conheci mulheres incríveis, e me coloquei em empresas, casa de pessoas, rotinas familiares, montei um espaço de yoga em um rooftop na Baixo Augusta onde só se entra quem sabe onde fica. Sou eu mesma, espontânea.

Voltei para terapia. Agora quem paga sou eu, que escolhi quem queria. E nunca foi TÃO absurdamente proveitoso trabalhar minhas barreiras e escolhas. Tem dias que saio de lá detonada... Mas grata por passar por todos os processos de mágoa, remorso, culpa que carrego comigo. Aos poucos, aprendo a me soltar das amarras que me seguraram durante minha criação e desenvolvimento como pessoa.

Eis-me aqui, aprendendo a me desapegar de conceitos, medos e padrões. Principalmente dos padrões. Este ano foi um ano de  aprendizado, acima de tudo. Dei a cara à tapa para todos os questionamentos possiveis, me abri em novas formas de me relacionar, enfrentei minha familia e me coloquei no que achava que era certo.
E estou feliz.
Assumi a ser exatamente o que desejo ser agora.
Não sei como será no futuro... Mas sei que agora, exatamente agora, eu deixei de me colocar pra baixo e simplesmente não realizar o que desejo de verdade. Decidi tirar do papel tudo o que desejava aqui em Sâo Paulo. E... guess what? Tá dando super certo. :)

3 de setembro de 2014

Eu! - Odisséia na Babilônia de pedra

Em julho, eu finalmente aceitei que nasci para Artes, e não ciências biológicas. E fiz um curso intensivo de Cinema em São Paulo, me virando. 
O curso foi incrível, abriu meus olhos e finalmente resolvi seguir meu instinto que falava para mudar de ares, depois de muito pensar.
Estou há uma semana morando sozinha em São Paulo, dividindo apartamento com outras 3 garotas. É uma experiência nova e que vai de encontro com o meu processo de amadurecimento, que tanto anseio.
Resolvi sair do meu antigo trabalho, e estou procurando novas oportunidades aqui. Continuo como dentista, estou fazendo entrevistas e já tenho onde atender. Ainda bem que tudo está se acertando, tanto mentalmente quando espiritualmente. Acho que o crescimento se dá quando nos permitimos ir além do que nossas barreiras nos dizem ser confortáveis, entende?

14 de maio de 2014

Ela tinha o hábito de esquecer as coisas. Esquecia-se de tudo, principalmente de coisas importantes. Senhas de banco, cartas de amor, fotos de passarinho...
Resolveu, então, fazer uma lista com os lugares onde estavam as coisas, para nunca mais esquecer. Decidiu colocar a lista no papel, e como as coisas da lista das coisas eram importantes, achou por melhor esconde-la.
Mas aí um dia ela esqueceu onde escondeu a lista das coisas.

24 de abril de 2014

Mergulhando no abismo de mim mesma, tenho contato com tudo o que me cerca e me compõe. Sinto meus batimentos cardíacos e o som da caixa de som ligado, sem música nenhuma tocando. Sinto meus pés flexionados e o barulho da nova mensagem no celular. Minha visão sem foco remete ao quão distante deixei a bolsa com a caixinha dos óculos.

Óculos novos, todo colorido, um pouco caro, mas não tanto perto dos demais, o tenho há cerca de 2 meses. E hoje mesmo fui a um brechó à procura de outro, velho, que já havia pertencido a alguém. Voltei com um livro do sebo ao lado, livro que já li por acaso. Gosto de livros com dedicatórias para outras pessoas.

Ao mesmo tempo em que cozinho legumes com camomila para o meu cachorro e eu, lavo a louça, tomo chá e só penso em voltar para o computador e escrever. Mas o celular toca, o telefone toca, meu cachorro me segue pedindo comida pela casa o tempo inteiro e minha cabeça é atolada de pensamentos, como televisões em vários canais ao mesmo tempo, todas em volumes diferentes (!).

Penso em paixão e escolhas. A minha vida toda fiz o que quis – só que o que eu quis estranhamente era o que meus pais queriam. Fui para onde eu quis, conheci quem quis conhecer. Tudo por perto deles, sempre com eles completamente cientes de tudo o que eu estava fazendo, já que tudo já havia sido sempre discutido e explicado.

Mesmo quando eu viajava, as poucas vezes que viajei sozinha, eles estavam cientes de onde eu iria ficar e telefones de todos os locais. São pais incríveis, me deram todas as oportunidades de crescimento possíveis, e estudei nas melhores escolas de tudo o que me propus a fazer, e até ganhei uma moto assim que comecei a trabalhar (depois de me formar na mesma profissão que meu pai, e acabar a dependência de algumas matérias na faculdade, que me atrasaram meio ano).

Tenho 25 anos, moro com meus pais superprotetores (mas é para o meu próprio bem, já que aprendi a fazer arroz recentemente e desde terça feira tenho um short que realmente gosto sujo de groselha que não sei tirar a mancha sozinha); e não tenho noção do que fazer com a minha vida.

Sei que sou levada a devaneios e paixões espontâneas. Fico dias, até meses num mesmo devaneio. E eu devaneio sempre, sempre. Sempre estou em situações alheias ao que me acontece no mundo real, e me pergunto frequentemente se eu respondi em voz alta ao meu pensamento enquanto sonho acordada.

Preciso acordar, mudar a minha realidade. Sempre preocupada com o que os outros vão pensar, mas já há uns anos não temendo a verdade de ser como eu sou. E sei que sou uma baguncinha por dentro. E sei exatamente o que quero, mas sou muito medrosa e superprotetora de mim mesma para conseguir. Por isso, dou micro-passos, verdadeiramente pequenos, em busca do que quero.

Por semanas me vale aquela informação de que tal curso está com matricula aberta – embora eu nada faça sobre isso, mesmo querendo demais me jogar. E aí, tudo é assim: tudo já foi o tempo, já acabou a inscrição, é muito caro... E nada faço para mudar essa realidade. 
Vivo sonhando com o tempo em que não virá se eu não tomar uma atitude.

A única parte da minha vida que eu mesma controlo é minha vida amorosa (Geralmente. Porque minha mãe tem as manhas de descobrir tudo sobre a pessoa em menos de 3 dias.)
Mesmo assim, a única parte que controlo da minha vida é uma completa bagunça. Neste exato momento, eu paro e abro o facebook, mudo de pensamento, faço uma análise se a cor do esmalte das minhas unhas está realmente de acordo com o que eu queria. 
Faço tudo para não entrar em contato com a bagunça mental da minha vida amorosa. 
Sabe por que? Porque aqui é como uma grande terapia de anos em alguns minutos. 
E já fiz terapia (e pretendo voltar) por muitos anos para saber os meus defeitos e ter completa inabilidade de lidar com eles. Portanto, sim senhor, tenho defeitos e não me orgulho deles, e nada faço para muda-los! E ainda me vejo no completo direito de ficar brava com eles.

Mas o que é mais confuso é a estabilidade que tenho neste mesmo quesito. 

Pensando sobre isso hoje cedo, conclui o seguinte pensamento: eu sempre namoro. Não me lembro da última vez que me envolvi com alguém que vi apenas uma única vez na vida (minto, lembro sim, foi em 2011 e em seguida eu desmaiei, acordei na ambulância: fiquei nervosa e minha pressão caiu).  
A questão é que sou fácil de se encantar, é fato, pois não tenho receio de expor minhas ideias e o que gosto, e pelo jeito, pessoas assim estão difíceis de se encontrar. Assim também sou fácil de me encantar por alguém. 
Aí é aquela paixão. Qualquer motivo se torna chama e ansiedade. 
E vivo intensamente aquele sentimento, conheço a família, faço e recebo cartas de amor, músicas e desenhos. Sempre me envolvo com artistas, já faz parte de mim. Não tenho um tipo específico, apenas o talento para só me envolver com tal tipo. 
E aí ninguém segura... por meses. 
Por meses que me entrego profundamente a alguém, e temos essa conexão maluca. E aos poucos isso vai sumindo, dando lugar a uma amizade forte. E acabo novamente com um ex namorado muito amigo. 

Vai ver eu preciso descobrir o que há mais pra ser descoberto sobre mim mesma no meu abismo. E para isso, preciso organizar a bagunça. 
Agora, dê-me licença que os legumes da panela já esfriaram faz tempo. 

2 de abril de 2014



Nível de indecisão: não sei qual música cantar no chuveiro.



De qualquer forma, está mais do que na hora de eu tomar a culpa de alguma coisa.

28 de fevereiro de 2014

Pelo meu direito de ser várias em uma só, enquanto uma em meio a várias.
Direito este meu de ser desesperançosa enquanto brado na linha de frente de melhores dias. Direito de "ter em mim todo o sentimento do mundo" e não me fazer ouvir ou ser vista. Direito de saber o que desejo para minha vida e direito de me sabotar toda vez que decido seguir minha intuição.

25 de janeiro de 2014

Grito mudo

Há um grito incrustrado em minha garganta.Um grito invisível, indizível, sem palavras. Mudo.
Um grito que me sufoca por não saber o que gritar, que me esperneia por dentro dessa minha urgência em ser livre.
Não tem o pássaro certeza onde irá pousar cada vez que alcança voo? Já eu sequer sei como é ter asas.
Presa por minha mente e pés, presa no alto de um prédio devidamente guardado por porteiros terceirizados e mal pagos.
O pior de estar presa é não saber para onde ir assim que tiver coragem.

7 de janeiro de 2014

A falta.

A falta de concentração. Falta de coerência nos pensamentos. Essa raiva que agita e me consome de forma homeopática, em pequenas doses. Aos poucos.
A sensação de perda de tempo. Tudo é perda de tempo, e o que eu mais faço é perder tempo.
Perco tempo montando textos na minha cabeça, que nunca irão para o papel. Perco tempo com pessoas que não são compatíveis comigo. Perco tempo no pôr-do-sol pela janela escurecida e gelada pelo ar condicionado. Perco tempo com sorrisos cordiais para desconhecidos que não fariam o mesmo por mim.
Haja saco. Haja paciencia. Odeio quando sou assim, odeio quando decido assumir minhas frustrações, porque não faço absolutamente nada para muda-las.
Odeio a falta que me faz e o fato de isso ter importância. Perco tempo em médicos, para que minha vida fique mais e mais controlada. Cada vez mais "de apartamento".